
Na véspera da segunda rodada de negociação do pacto proposto pelo governo para as obras do PAC, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, classificou ontem de “irresponsável” o consórcio liderado pela construtora Odebrecht e responsável pela construção da usina hidrelétrica de Santo Antonio, em Rondônia. Em nota divulgada à noite, Artur Henrique afirma que o consórcio “desrespeita o governo e se recusa a negociar com os trabalhadores, enquanto oferece condições análogas à escravidão”.
A CUT cobra do governo a aplicação de multas e o corte do financiamento público de R$ 6,1 bilhões para o consórcio. Já as empreiteiras pediram ontem à Justiça que multe a central sindical em R$ 500 mil por dia paralisado na obra.
Segundo Artur Henrique, dirigentes da CUT, da Confederação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores de Construção e Madeira (Conticom) e do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil de Rondônia (Sticcero) se reuniram na tarde passada com representantes da Odebrecht, em Porto Velho, e a empresa rompeu o compromisso de diálogo firmado com o governo e os representantes dos trabalhadores na primeira rodada de negociação para o pacto.
“O principal item da pauta era a reabertura das negociações com os operários da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio que estão em greve contra as péssimas condições de trabalho e segurança no canteiro de obras, onde os trabalhadores são vítimas de assédio moral e submetidos a condições análogas à escravidão. Porém, ao contrário do compromisso que firmou com o governo federal e com os trabalhadores na terça-feira (29), em Brasília, representantes da empreiteira radicalizaram. Além de voltarem atrás e afirmarem que não vão dialogar com os trabalhadores, surpreenderam com ameaças de recorrer à Justiça para mediar o conflito”,afirma a nota do presidente da CUT.
Artur Henrique e o secretário de Finanças da CUT,Vagner Freitas, afirmam ainda, na nota: “A mesma Odebrecht, capaz de acusar da CUT e suas entidades filiadas de radicalizar o discurso, se nega a sentar à mesa de negociação com quem apenas luta para ter seus direitos e dignidade respeitados. Os representantes da empresa esquecem que a greve dos operários nas usinas de Jirau e Santo Antônio é a única resposta a quem submete os operários a assédio moral e condições precárias de alojamento e alimentação”.
A nota afirma também que “a postura autoritária da Odebrecht aumenta a necessidade da construção urgente de um Pacto Nacional para a Construção Civil com multas pesadas e corte de financiamento público para quem desrespeita os direitos trabalhistas. Apenas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o consórcio responsável pela construção de Santo Antônio receberá R$ 6,1 bilhões”.
Uma liminar da Justiça determinou, na sexta-feira,que o sindicato estadual dos trabalhadores na construção deverá pagar multa diária de R$ 50 mil por local ou veículo obstruído ou ocupado por integrantes do movimento.Ontem, o consórcio voltou ao Tribunal Regional do Trabalho pedindo que o valor da multa seja multiplicado para R$ 500 mil, mais o desconto dos dias parados. Porém, segundo Vagner Freitas, que media as negociações no estado, a decisão de suspender as atividades foi da própria Odebrecht.
“Os operários realizaram duas assembleias na quartafeira (23) e a ampla maioria decidiu voltar ao trabalho no dia seguinte. Mas, na quinta-feira (24) ocorreram alguns pequenos tumultos e a usina foi fechada pela empreiteira por uma questão de segurança e os funcionários dispensados.Portanto, o sindicato não pode ser punido por uma decisão que não é sua”, ponderou o dirigente.
O consórcio argumentou à Justiça que a grande maioria dos operários estava propensa a retornar ao trabalho, mas foram surpreendidos por manobras sindicais. “O sindicato, juntamente com os diretores da CUT, inflamou os trabalhadores e, ao invés de convocar os paredistas a retornarem ao serviço, decidiram manter a paralisação”.
Fonte: Brasília Confidencial
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